Sexta-feira, Novembro 30, 2007
E esse post... não precisa ser lido.
posted by Ninguém at 4:19 AM
Terça-feira, Novembro 20, 2007
- Tio, aluga um filme pra mim?
- Não, não alugo mais filme com o Orlando Bloom.
- Mas tio, não é com o Orlando Bloom...
- Sim, mas não, deve ser com outro ator que você só quer ver o filme por causa dele...
- Tio, é com a Lynday Lohan!
- Pior! Filme de menininha, não alugo mesmo!
- QUER QUE EU VEJA FILME PORNÔ???
- Aos 12 anos eu já via filme de tribunal!
- MAS A LYNDSAY JÁ FOI AO TRIBUNAL! VÁRIAS VEZES!
Indeed...
posted by Ninguém at 2:23 PM
E esse sentimento que eu julgara mais morto que Deus após Nietzsche, novamente, dá as caras. E através dele é fácil ser honesto. Sim, sim, quando eu tenho plena confiança em uma certeza, não consigo deixar de ser honesto. A sombra está na dúvida, mas a dúvida, essa que instalou-se em nossas almas ao longo de toda a vida e todo o século, essa dúvida que nos faz ser modernos e pos-modernos, essa dúvida que nos semeia a sensibilidade para o unwelt, essa bela dúvida acerca de todas as estradas, nem é o fim em si e nem pode ver-se acabada, apenas... transpassada? No fim, é tudo sobre o amor.
posted by Ninguém at 6:27 AM
Segunda-feira, Novembro 19, 2007
Há pessoas para quem o mundo não foi feito. Nenhum mundo. Um milhão de vezes poderia ter Deus tentado e viria falho, com vínculos dissidentes. E esses seres eternamente ao limbo a qual cada tempo acunha de uma forma, esses transloucados refeitos poetas, suicidas ou assassinos, em gaiolas de pombo ou grades de ferro, não viram à luz do dia um contrato que lhes coubesse, e mesmo se vissem, rasgariam. Insignas brutas que não em brasa, marca d'alma é pelo olhar incidente, e não há número de identificação ou supercomputador que pela íris, dedo ou saliva, mal há maquina de carne e sangue que pelo tato, ouvido ou rastro... os revele. Que há de ser deles? Postergados! Que há de ser deles, errantes, quentes, frios, com a fome de um animal carnívoro e que do mato respeitam só o velho que para lá se foi há muito muito tempo e nunca mais voltou.
posted by Ninguém at 2:03 AM
Sexta-feira, Novembro 16, 2007
Não temos um mestre. Na literatura, quem? Amado é do sertão, de putas e pistoleiros, realista no que não somos, pobres, não, nulidades. Machado é um homem do séulo XIX, não leva herança aos filhos que não teve, foi varrido para baixo do tapete dos vestibulandos. E Guimarães, que poderia sê-lo, é grande, Goethe tupiniquim, serra a alma humana e nos exibe partes, mas a alma transcende o momento e, nesse beginning of the century, não nos descobre. Então sejamos internacionalistas. O vazio de um Beckett, a solidão de um Pessoa, o existencialismo de um Camus, sim, sim, Sim!, ja klar, é tão claro que tornou-se lugar comum à falha de nossas expectativas. Nietzsche, Marx, Freud! En-ter-ra-dos. Sartre com um sabre de luz contra Derrida, a genealogia revivida por Foucault, cadê? Pelos recantos gays de Paris, o subterrâneo só sussura a quem foi surdo: Literatura de estrada. Kerouac em casa, fumando maconha no último andar da beira-mar. Sobrou... Chuck! Palahniuk, Irvine Welsh, Will Self, Pedro Juan Gutierrez, Clarah Averbuck, que diz que odeia quem escreve certinho, e é claro que nunca leu um elogio de Júlio Cortázar a Érico Veríssimo, besteira, escolha seu trabalho, seu carro, sua roupa, escolha tudo menos sua vida, e sim, salvo uns mortos e feridos, é pós-pós-pós-humanismo, literatura de buteco, sexo, drogas e rock'n roll, agora Littell, sen-sa-ção, e diz o ditado que para quem morre afogado Jacaré é tronco. Ah, Veríssimo, claro! Velho. Bernardo Carvalho... nunca li. Medo que tudo tenha acabado quando o próprio Cortázar parou de escrever. Nem ele leio. Medo. Não temos um mestre. Fragmentologia, multiculturalismo e Libertê! Intelectual. Jabor? Mainardi? Piada séria essa, mi amigo. Então Gilberto... Gil! Aha! Eles tiveram Mauraux! Ah, mas hoje têm Luc Ferry. Justo o suficiente. Chavez é Fidel sem Che e com o PCdoB. Comunismo... puff. Estruturalismo... ursinho puff. Corram, estão relançando Burroughs, Thomas Wolfe, Hermann Hesse, André Gide, mas... tenho aqui uma entrevista recente com Geraldo Vandré, ó:
Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável.
Do homem que calou Tom e Chico, porque Tom, Chico, Caetano e Gil você conhece. Mas o que é Vandré? Diz aí, Fiona:
- É um molusco encontrado nas águas mais geladas do Atlântico Norte.
posted by Ninguém at 9:10 PM
Segunda-feira, Novembro 05, 2007
... e disse-me Vinícius, "Tenho certeza que você conquistaria a mulher que quisesse". Mas claro! "Se é uma questão de retórica, em tese qualquer um poderia, certo?" "Não é uma questão de retórica, mas da sua retórica ser verdadeira." Uma boa resposta, admito. Então não é o que você diz, mas se é verdadeiro ou não ao dize-lo. E é isso que conta?
Comentando seu texto, você diz que "...veja bem, meus amigos, eu tinha tudo para ser igual a vocês, mas não vale a pena", e é sempre isso, meu amigo, quando me vem o poema de Pessoa, quando "O mundo é daqueles que nasceram para conquista-lo, não daqueles que achavam poder faze-lo, ainda que tivessem razão." Tínhamos tudo para ser igual a eles? Poderiamos? Por mais tosco e medíocre que seja o Outro, não será em exato o Outro, ainda que nivelado por baixo, no que conhecemos, no que podemos mentalmente reproduzir, aquilo mesmo que nunca nos permitiariamos ser, ainda que quisessemos? Quando Faulkner disse que o escritor escreve sobre tudo aquilo que não tem coragem de viver, não devíamos trocar o coragem pela possibilidade? E não é, ao fim, nosso grande motivo da escrita, o de apresentar o profundo desprezo por tudo aquilo que nos seria, de qualquer forma, negado? Nossa gloriosa vingança? Afinal, se temos ciência, por que escrever? Por que?
A escrita não é a retórica falsa? Não é querer abraçar o mundo, a todas, a qualquer uma, ser promiscuo na vida, nas idéias, trocar aquele toque de rosto com rosto da necessidade mútua, aquele permanecer enlaçado na idéia fisiológica que é invadir ao outro, pela vingança de ontologicamente penetrar o Outro?
posted by Ninguém at 5:13 PM
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