Quarta-feira, Outubro 22, 2008
A revolução ainda é um ideal aceso em certas jovens mentes inquietas. Faz poucos dias veio ao Brasil uma das novas velhas vozes do Marxismo, um apêndice da velha escola de Frankfurt que, desde Adorno e Horckheimer, repete e recicla as idéias do jovem Marx sobre alienação e cultura de massas.
Slavoj Zizek, autor de diversos livros, falou no fórum de ciência e cultura da UFRJ para uma platéia composta na maioria de estudantes, cuja postura política eu não diria ser outra que não a de esquerda. Um dos livros de Zizek chama-se Repetir Lenin e qualquer um que leia seus livros, qualquer um, nota a força de seu argumento anti-Stalinista, da dicotomia entre o mundo em movimento de Lenin e o mundo estático, burocrata, estatal, comandado por cima, de Stalin.
Particularmente não conheço nenhum livro hoje que seja A favor de Stalin, ou Repetir Stalin. Dos escritores comunistas mais notórios, raros são os que não afluiram para a teoria cultural, para a psiquiatria das massas, e mesmo os que não fizeram por completo, como Robert Kurz ou István Mészáros, são críticos do estado burocrata, tendo o primeiro acusado o Stalinismo de seguir uma meta Fichteniana, nunca marxista.
Enterrem Stalin e tragam Lênin de volta, eles dizem. Lênin, a ousadia, o homem da revolução contínua, aquele que sente o vento que acompanha o tempo. Sepultem o burocrata, a mesmice, a técnica pura, o pontual. Tragam o contínuo, o flúido, o vivo, o novo. Cavem a cova de tudo aquilo que é pedra, que é hipócrita, que enoja. Como Sabina, que disse odiar o comunismo soviético não porque ele oprime, não porque ele mata, não porque é mau. Ela odiava o comunismo soviético, simplesmente, por ele fazer isso dizendo que é o melhor para todos.
Ressucitem Lênin, eles dizem, e aqui no Rio o movimento estudantil, a une e os sindicatos anunciam apoio ao candidato Paes. Em São Paulo a esquerda difama, como uma última cartada, porque a política é suja, e vencer aquele que está deste lado é sempre o melhor para o povo.
Quem ouve gabeira falar percebe que ali está o novo, ali está o risco, ali estão as idéias, ali a vida flui. Interdisciplinaridade, respeito, ousadia, transparência, arte. Do outro lado... o homem que se apresenta, feito um faraó, como aquele que entregou o novo Maracanã ao Rio de Janeiro. O prefeito-síndico. O tecnólogo. O experiente. Mas quem há de negar que a Russia, sob Stalin, derrotou a Alemanha Nazista? Quem há de negar que, em 25 anos, um país destruído pela guerra tornou-se um dos maiores produtores de matéria prima do mundo?
Bem-vindos os novos Stalinistas, devemos dizer. Deveriam ter ido atirar pedras em Zizek, não aplaudi-lo, como foram. Porque o que o Rio quer, o que o mundo quer, é óbvio, nada mais é que vença aquele que carrega no peito o símbolo da foice e do martelo. É óbvio. E ai daquele que entende de outra forma. Porque, mais uma vez, é óbvio.
posted by Ninguém at 8:26 PM
Quarta-feira, Outubro 15, 2008
No Rio, essa eleição será um marco triste. Deveria ser de um lado Eduardo "Upa 24horas" Paes, a vitrola quebrada da "integração entre o municipio, o estado e o governo federal", e do outro, Gabeira, mas todos se encontram nessa cidade. Wladimir Palmeira, por exemplo, será para sempre lembrado (entre os poucos que ainda se lembram de quem ele é) como aquele que levantou a mão de Eduardo, e sorriu glorioso. Dos ainda revolucionários, parcos serão os que não sentirão nojo do PC do B e de Jandira que, derrotados, foram comer pastel com Eduardo. E do PT, da esquerda que até aqui foi e agora deixa ir sozinha, é triste ver Lula na televisão, falando meio que envergonhado, sem convicção alguma, sobre esse candidato que seu partido resolveu apoiar pensando no futuro, porque uns outros, como Molon, optaram por ficar calados. Paes, aquele que faz pouco xingava Lula, ex-subprefeito de César Maia, político nato, preocupado com a imagem, com as frases feitas, apelando para o povo, para os carentes, para quem precisa do alento que os decentes sabem da inexistência.
Não achei que Gabeira fosse ganhar, mas agora creio que vá, porque o mundo está mudando e os homens com ele, e Gabeira pode ter jeito de tudo, menos de político. Quando falou hoje na entrevista que deu ao globo sobre o exército Bolchevique, assim, en passant, que raiva deve ter dado em Jandira, no PT e no PSB, pois logo ele, o outro lado, o homem apoiado pelo PSDB, falando dos comunas, e falando com tanta elegância, com suavidade... enquanto o Eduardo fala das Upas, e até o fim do mês falará de novo da importância da integração entre o município, o estado e o governo federal...
Gabeira é direto. Perguntam, ele responde. A entrevistadora se espanta, que político responde uma pergunta com apenas uma palavra? Exatamente, ele disse, e calou-se. Silêncio. Precisava dizer mais? Gesticular, balbuciar, aproveitar o tempinho para falar mais uma vez da integração entre o município... porque, ao fim, essa eleição terá mais perdedores que vencedores. Perde a esquerda, toda ela, ao unir-se ao mal-caratismo, ao enfatizar Maquiavel, porque a única promessa de Gabeira na campanha é o que a esquerda, os "comunistas", os revolucionários do movimento estudantil, a Une, tudo aquilo que nenhum deles pode oferecer até hoje: Transparência e caráter.
E quem ganha? Ganha Serra, vitorioso em São Paulo, derrotado não sairá do Rio. Ganha o PV que veio mostrar que, neste novo século, não há lados pre-definidos, não há siglas, não há mais significado em meras letrinhas... há escolhas, e cada um de nós tem feito a sua pessoal. Ganha também o povo do Rio, que pela primeira vez em anos, em décadas, terá a oportunidade de refletir e votar, não entre seis e meia dúzia, mas entre homens que de tudo, nada têm em comum. É impossível hoje dizer quem vai vencer e, como todo futuro, é impossível dizer a direção que nossa escolhas irão nos levar, porém é possível, é claro, é óbvio, perceber quais são elas.
posted by Ninguém at 12:02 AM
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